quarta-feira, 16 de março de 2011

Faltam delegacias especializadas para lidar com desaparecidos

Um dos problemas que atrapalham a solução de casos de desaparecimento no Brasil é a ausência de delegacias especializadas para lidar com crianças e adolescentes. Essa é a opinião de Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança, de São Bernardo do Campo (SP), e vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“Toda região, comarca ou município deveria ter uma delegacia especializada da criança e do adolescente, contando com policiais preparados para trabalhar nessa área, com apoio social, com parcerias com as prefeituras ou com a própria polícia oferecendo esse apoio social”, disse Alves, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo Ivanise Esperidião da Silva Santos, presidente e fundadora da Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida, mais conhecida como Mães da Sé e mãe de uma criança desaparecida desde 1995, há em todo o Brasil apenas duas delegacias especializadas nesse tipo de atendimento: em Belo Horizonte (MG) e em Curitiba (PR). “Os governos deveriam investir mais em segurança pública e capacitar o policial para trabalhar com desaparecidos”, reclamou Ivanise.

Segundo ela, um passo importante nessa questão foi a promulgação da Lei 11.259, em 2006, conhecida como Lei da Busca Imediata. “Ela obriga a delegacia a fazer a ocorrência do desaparecimento e também a dar início às buscar e acionar órgãos como as polícias rodoviária e federal, aeroportos e terminais de ônibus”, disse Ivanise. O problema, segundo ela, é que “a lei não é cumprida” e muitas delegacias, por exemplo, ainda dizem que é preciso aguardar 24 horas para fazer a notificação do desaparecimento.

“Nunca existiu isso. [O prazo de 24 horas] Nunca foi lei ”, criticou. “Isso [a negação da delegacia em fazer a notificação imediatamente] é um desrespeito com a dor de uma mãe. Quanto maior o tempo de desaparecimento, menor a possibilidade de ela [a criança] ser localizada”, ressaltou.

Para Ariel de Castro Alves, também seria interessante que os municípios brasileiros pudessem repetir o exemplo da Fundação Criança e estabelecer parcerias com as delegacias municipais para o enfrentar o desaparecimento de crianças e adolescentes.

Por meio de parcerias, a Fundação Criança disponibiliza o arquivamento de material genético no banco de dados de DNA (material genético), serviço oferecido pelo projeto Caminho de Volta, da Universidade de São Paulo (USP), e o envelhecimento digital de crianças desaparecidas por um longo período de tempo, que é oferecido pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) do governo do Paraná.

“Esse trabalho é fundamental. Entendemos que ele deveria ocorrer em todo o Brasil. Todos os estados deveriam desenvolver esse trabalho, como é feito no Paraná, serviço que é vinculado à Polícia Civil. Passando de dois a três anos, sempre seria fundamental o envelhecimento digital porque o corpo da criança e o rosto do adolescente se modificam muito rapidamente nesse período em que eles ainda estão se formando. E o envelhecimento digital é fundamental para ajudar a encontrar essa criança”, afirmou Alves.

Desde 2005, a Fundação Criança trabalha com a questão do enfrentamento de crianças e adolescentes desaparecidos. Nesse período foram recebidos mais de 800 casos, uma média de 200 por ano. Segundo o presidente da fundação, em 95% dos desaparecimentos, a solução ocorre logo nos primeiros dias. Mas nos casos de desaparecimentos mais longos, a fundação tem agora optado pelo processo de envelhecimento digital. Atualmente, há sete registros de desaparecimento sendo investigados pela fundação. Em dois, foi feito o procedimento de envelhecimento digital de fotos das crianças.

De acordo com Alves, é necessário também o suporte psicossocial para ajudar as famílias no enfrentamento desse problema. A Fundação Criança oferece esse atendimento pela psicóloga e educadora Vania Brito Caires. Após receber os boletins de ocorrência encaminhados pela delegacia seccional, a fundação entra em contato com as famílias. “Atendemos a essa família e damos um suporte psicosocial. Tentamos compreender que tipo de desaparecimento é esse”, explicou ela. “A família chega aqui no atendimento desesperada. Entramos no processo de localização [da criança] e tentamos tranquilizar [os pais eparentes]. A família vem carregada de sentimentos de impotência, de que não cuidou do filho direito ou se perguntando porque o filho fugiu de casa”, disse a psicóloga.

Segundo ela, quando a busca pelo filho se prolonga, o sentimento passa a ser outro. “Quando o desaparecimento fica prolongado, a família começa a ter aquele sentimento de enlutamento, como se tivesse perdido um membro da família. Mas ao mesmo tempo, com a esperança de achar essa criança”, afirmou.

Além dos sentimentos, os parentes de crianças desaparecidas também podem manifestar a dor fisicamente. “O que observamos é que muitos membros da família têm um adoecimento físico em função da somatização. Às vezes são problemas cardíacos, pressão arterial alta, irmãos com febre e até problemas de escolaridade. Às vezes, quando há um casal de irmãos, o outro fica doente em função da saudade ou em função da sensação de abandono temporário em função do esforço dos pais em busca do filho desaparecido”.

Por isso, destaca o presidente da Fundação, além da notificação policial, também é importante desenvolver um trabalho específico com as famílias de desaparecidos para tentar obter informações, como lugares onde a criança costumava ir e se houve algum tipo de divergência dentro da família. De acordo com Alves, na maior parte dos casos investigados pela Fundação Criança, as crianças são localizadas logo após esse atendimento psicológico, social e jurídico. “Esse tipo de trabalho é o mais importante e ajuda a solucionar mais de 80% dos casos”, afirmou.

Conflito familiar é a principal causa do desaparecimento de crianças

São Paulo - Há 15 anos que Ivanise Esperidião da Silva Santos procura pela filha desaparecida, que sumiu quando tinha 13 anos e voltava de uma festa de aniversário. “Minha filha desapareceu no dia 23 de dezembro de 1995, a 120 metros de distância da nossa casa, quando voltava da casa de uma colega da escola. E durante o tempo em que vivi a minha busca sozinha, cheguei à beira da loucura”, contou ela, em entrevista à Agência Brasil.


A busca solitária durou cerca de três meses, até que Ivanise informou o desaparecimento da filha no Centro Brasileiro em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, foi convidada a participar da novela Explode Coração, da TV Globo, que abordava a situação de pessoas que tinham filhos desaparecidos. Lá, ela conheceu as Mães da Cinelândia, um grupo de mulheres que se uniu em torno do mesmo problema: filhos e netos desaparecidos. “Fiquei impressionada em ver a organização daquelas mães, irmanadas pelo mesmo objetivo de encontrar os seus filhos”, relatou Ivanise. Foi também por causa da novela que ela conheceu Vera Lúcia Gonçalves, de São Paulo. As duas criaram a Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida, mais conhecida como Mães da Sé, que funciona em desde março de 1996 na capital paulista.


Desde então, a organização não governamental (ONG) Mães da Sé já cadastrou mais de 10 mil casos de pessoas desaparecidas, a maior parte no estado de São Paulo. Desse total, 2.347 pessoas foram encontradas com vida e 206, mortas. Na ONG, Ivanise observou que, na grande maioria, as vítimas são crianças de pele clara e bem afeiçoada "e de classe social muito baixa”, disse Ivanise. Em São Paulo, segundo ela, as meninas são maioria entre crianças e adolescentes desaparecidos. Apesar de tudo, ela não perde a esperança de rever a filha. “O que tem me mantido viva é a certeza de que um dia eu vou encontrá-la. O dia em que eu perder a esperança, eu morro”.


O Mães da Sé tem como missão colaborar na elucidação de casos de desaparecimento de pessoas e fiscalizar e apoiar a atuação das autoridades governamentais. Contatos com o Mães da Sé podem ser feitos por meio do endereço eletrônico www.maesdase.org.br, pelo telefone (0xx11) 3337-3331 ou no endereço Rua São Bento, 370 - 9º andar, conjunto 91, sala 02, no centro de São Paulo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

PEDOFILIA

VÍDEO>>MEDULA ÓSSEA.

ANDRESSA DE SOUZA GOMES

MATHEUS DIAS MORAIS

RAQUEL PACÍFICO

A preocupação maior de crimes sexuais é contra os adolescentes, pois são os casos mais frequentes. “Os adolescentes são as principais vítimas.

. A cultura machista dos homens criados para ver as mulheres como objeto agora que não está sendo vista com bons olhos, as pessoas estão mais intolerantes quanto a isso”, afirmou.

Sob a ótica do estudo, Milene Veloso fez questão de pontuar que nem todo abusador sexual é pedófilo. E ainda mais, pedofilia não é crime. “O pedófilo tem transtornos de conduta e sente atração sexual por crianças, é uma doença compulsiva e não tem cura”, explicou. As pessoas portadoras desse transtorno apresentam algumas características comuns.

Conforme a explicação da psicóloga, eles se aproximam de crianças franzinas, carentes afetivamente, procuram estreitar amizade para conseguir conquistar a confiança da criança. E é nesse momento que a família precisa estar atenta.

Um caso de pedofilia quando chega à delegacia não é visto como doença. A delegada Cristiane Lobato, diretora da Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA) diz que a introdução do artigo de estupro de vulnerável contribuiu para essa interpretação. “Quando chega um caso de alguém que tenha violentado uma criança menor que 14 anos por conjunção carnal ou por ato libidinoso, vai ser presa”, explicou a delegada.
Para defender essa bandeira em defesa das crianças e dos adolescentes quem quiser contribuir pode ligar para o disque-denúncia 181 e denunciar os crimes sexuais. A partir do dia 1º de março a Data vai lançar o site com foto de abusadores foragidos da Justiça.

SINTOMAS

As crianças violentadas costumam apresentar os seguintes sintomas: isolamento, baixo rendimento na escola, fuga do lar, insônia, automutilação, pesadelo e fobias.

O QUE É PEDOFILIA?

É uma doença sem cura em que a pessoa tem transtorno de conduta e sente atração sexual por crianças. (Diário do Pará)
*

SÃO BERNARDO DO CAMPO Serviço pioneiro para crianças e adolescentes desaparecidos em São Paulo.


A Fundação Criança de São Bernardo do Campo (Rua Francisco Visentainer, 804, Bairro Assunção) desde 2005, criou o Serviço de Enfrentamento ao Desaparecimento de Crianças e Adolescentes que já atendeu mais de 800 casos. Este ano, do mês de janeiro até 3 de fevereiro, foram registradas 21 ocorrências em processo de andamento, e somente sete casos não solucionados. O Projeto tem o apoio, desde 2010, da Secretaria de Direitos Humanos, com o objetivo de avaliar as práticas existentes, e propor novas ações e capacitar os profissionais do Sistema de Garantia de Direitos da Infância e Juventude sobre o desaparecimento de crianças e adolescentes. Dos atendidos pela Fundação Criança, mais de 60% são de pessoas do sexo feminino, sendo que mais da metade dos casos são relacionados à fuga do lar (violências doméstica, física e psicológica, entre outras). De acordo com o coordenador de projetos da Fundação, André Felix Portela, 95% dos casos são resolvidos imediatamente, alguns em menos de uma semana. Após o retorno a residência, a Fundação realiza uma avaliação sobre o que motivou o desaparecimento dessas crianças ou adolescentes, oferece acompanhamento e inclusão em cursos, por meio de programas sociais da unidade ou da Rede Municipal de Assistência. -
Boletim
Em caso de desaparecimento é necessário registrar o boletim de ocorrência imediatamente, na delegacia mais próxima de sua região ou por delegacia eletrônica: www.ssp.sp.gov.br/bo/, ter uma foto recente da criança em mãos e fornecer à autoridade policial detalhes sobre a vestimenta da criança, lugares que gosta de frequentar e comportamento. Além disso, é preciso procurar o Conselho Tutelar e a Fundação Criança(www.fundacaocrianca.org.br) , que oferece suporte psicossocial a família, além de apoio na divulgação de cartazes, divulgação em sites do Cadastro Nacional das Crianças e Adolescentes Desaparecidos.
*

Pulseiras para identificar crianças são distribuídas no Rio

RIO DE JANEIRO – Para que as crianças não se percam dos pais durante o carnaval, começaram a ser distribuídas nesta terça-feira (1º), na Rodoviária Novo Rio, no centro do Rio, 80 mil pulseiras de identificação. A iniciativa é do programa SOS Crianças Desaparecidas, da Fundação da Infância e Adolescência (FIA), órgão da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

A campanha vai servir para conscientizar adultos da importância de se identificar crianças e promover a cultura de identificação. De acordo com a assistente social do programa SOS Crianças Desaparecidas, Luciana dos Santos, além de identificar a criança, a família pode ainda marcar um ponto de encontro com os filhos.

“O desaparecimento é muito traumático. Tanto para criança quanto para o responsável. Quando você tem um filho desaparecido, você não sabe onde ele está, se está com fome, dormindo na rua. Então é importante que nós divulguemos essa identificação, não só com a pulseira, mas, principalmente, marcando um ponto de encontro”, disse a assistente social.

ntes de embarcar para Rio das Ostras, na Região dos Lagos, o técnico em planejamento Guaraci Costa, de 56 anos, aproveitou para pegar panfletos com fotos de crianças desaparecidas e pulseiras de identificação para distribuir em sua cidade. “Eu sou muito agregado nessa questão de crianças perdidas. Como eu vejo as mães desesperadas por aí, eu acho que ajudar não custa nada”, disse.

Desde que foi criado, há 15 anos, o programa SOS Crianças Desaparecidas já atendeu 3.032 casos. Cerca de 85% do total de casos de desaparecimento foram solucionados. O posto com pulseirinhas vai funcionar até o próximo dia 3, das 10h às 16h na Rodoviária Novo Rio.
*

VÍDEO CDEF CRIANÇAS DESAPARECIDAS

VÍDEO FEF CRIANÇAS DESAPARECIDAS