quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Contracheques da Câmara podem ter fotos de desaparecidos



A vereadora Léo Kret do Brasil (PR) propôs à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Salvador, que sejam estampadas fotos de desaparecidos nos contracheques de todos os assessores e funcionários da Casa Legislativa.
Segundo Léo Kret, estimativa do Governo Federal aponta para 40 mil crianças desaparecidas a cada ano. “Sabemos que o número é muito maior, porque não há registros oficiais de todos os casos e isto ocorre devido à falta de informação sobre o assunto”, diz a vereadora.
Ela afirma que não existem campanhas esclarecedoras para ensinar os pais a como agir no momento em que o filho desaparece. “Essa falta de conhecimento piora ainda mais a recuperação da criança num tempo hábil”, completa.
Os desaparecimentos, explica Léo Kret, são, em grade parte, decorrência do “tráfico de crianças por quadrilhas que atuam em território nacional e internacional, aliciam ou sequestram crianças para venda de órgãos, do trabalho escravo infantil, prostituição infantil e adoção ilegal”. Ainda, outras causas de desaparecimentos são verificadas, como crimes de pedofilia, fuga de casa após maus tratos por parte dos pais, mendicância e dependência química.
A vereadora chama a atenção para a possibilidade de registrar imediatamente a ocorrência do desaparecimento da criança, sem que seja preciso esperar 24 horas para avisar a polícia. “Quanto mais rápido a pessoa se dirigir a um posto policial e registrar a ocorrência, maiores serão as chances de encontrar a criança”, reforça. 

LUKAS WESLEY BARBOSA

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Criança que estava desaparecida foi à escola esta segunda-feira

Criança apareceu hoje no infantário/Foto de Arquivo (foto ASF)

Uma criança de cinco anos que tinha sido dada como desaparecida no sábado foi hoje à escola e encontra-se bem. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.

O menino, natural da Ucrânia, tinha saído de casa, em Braga, na tarde de sábado, para ir a um parque infantil nas imediações. Os pais nunca mais o viram e a PJ distribuiu pela cidade vários panfletos a dar conta do desaparecimento.

A criança foi levada ao jardim de infância onde anda, alegadamente por um membro de uma família vizinha, suspeitando-se que tenha passado o fim de semana com crianças desse agregado familiar sem conhecimento dos progenitores.


FONTE>>http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=354062

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Associação critica inoperância de Cadastro Nacional de desaparecidos


Ivanise Esperidião da Silva Santos (Presidente da MÃES DA SÉ) e dep. Arnaldo Jordy (presidente)

Para Arnaldo Jordy, falta de diálogo dificulta alimentação decadastro de desaparecidos

A não implementação do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas impede que a sociedade saiba números precisos sobre esses casos no Brasil e as autoridades públicas não estariam preparadas para atender esse tipo de situação. A avaliação é da presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida, as Mães da Sé, Ivanise Esperidião da Silva, que participou nesta terça-feira de audiência pública na CPI do Tráfico de Pessoas.

A filha de Ivanise é um número nas estatísticas de casos não resolvidos. Ela despareceu em 1995 a 120 metros de casa. Na primeira abordagem na delegacia, horas após o desaparecimento, ela ouviu do delegado que a filha poderia estar num motel com o namoradinho.

"Eu disse pra ele doutor, minha filha tem só 13 anos. E uma mãe que dá liberdade para um filha de 13 anos ficar na rua até 3 horas da manhã não vem na sua delegacia. Ele me disse eu não posso fazer nada, a senhora não sabe que tem que esperar 24 horas?".

Mas, desde o início dos anos 90, uma lei, reforçada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, exige investigação imediata após a notificação do desaparecimento. A maioria dos desaparecimentos de crianças são fugas de casa que têm solução. Das 9 mil crianças desaparecidas em 2011 no Brasil, 7 mil foram localizadas.

Desde 1996, a associação Mães da Sé colaborou diretamente com a solução de mais de 2,8 mil  casos de pessoas desaparecidas. Duzentas delas estavam mortas, vítimas de homicídio. Por falta de um cadastro nacional, a associação trabalha em parceria com as varas da infância e os conselhos tutelares.

Legislação

Além de delegacias especializadas em pessoas desaparecidas, faltaria legislação sobre o tema. O presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), explica por que o cadastro nacional ainda não funciona:

"Lamentavelmente, falta diálogo entre a Polícia Federal e as polícias estaduais. Eu diria que é tecnologia de botequim a possibilidade criar num cadastro único e alimentar esse cadastro a partir dos núcleos estaduais e municipais, das polícias civis e ou das políticas de Direitos Humanos fazendo um banco de dados que possa funcionar online e que, portanto, permita que a resposta do Estado seja mais rápida”.

No ano passado, segundo a associação Mães da Sé, desapareceram 23.253 mil pessoas no país, das quais 18.452 foram localizadas. Até metade deste ano, já desapareceram 11.011 pessoas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CPI do Tráfico de Pessoas ouvirá entidade que procura crianças desaparecidas


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de pessoas no Brasil ouvirá nesta terça-feira (18) a presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa da Criança Desaparecida (ASCD), Ivanise Esperidião da Silva. A reunião será realizada às 10 horas, no Plenário 11.
Os trabalhos na CPI, que já foram prorrogados uma vez por 60 dias, encerram-se no próximo dia 13 de outubro. Mas, segundo a relatora das investigações, deputada Flávia Morais (PDT-GO), a abrangência dos casos envolvendo tráfico de pessoas no País merece mais aprofundamento.
“Já que a CPI está em andamento, com equipe mobilizada, acredito que a prorrogação seja muito oportuna para que possamos apresentar o melhor relatório possível”, argumentou.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DNA pode enfrentar tráfico de crianças", diz pesquisador espanhol


O espanhol José Antonio Lorente, 51, diretor do Centro de Pesquisas Genômicas e Oncológicas e do Laboratório de Identificação Genética da Universidade de Granada, está apostando no DNA como uma ferramenta para identificar crianças que moram nas ruas e para combater o tráfico internacional de pessoas.

Lorente criou, em 2004, a fundação DNA-Prokids, que auxilia países interessados a implementar bancos de dados de DNA para identificar menores desaparecidos.

Em entrevista à Folha, por e-mail, o médico e pesquisador, que passou temporada de estudos no FBI (Federal Bureau of Investigation) nos anos 1990, afirmou que a Paraíba deve se tornar o primeiro Estado brasileiro a adotar essa tecnologia.


Folha - Quando e por que decidiu criar a DNA-Prokids?

José Antonio Lorente - Tive a ideia entre 2002 e 2004, enquanto visitava países na América Latina e na Ásia e percebi que ninguém estava fazendo nada para identificar crianças desaparecidas. A DNA-Prokids surgiu depois de uma visita ao Peru, em 2004, e começou a funcionar como projeto-piloto na Guatemala, no mesmo ano.

O programa é similar em todos os países?

A metodologia é idêntica, mas temos diferenças nas autoridades com que lidamos. Isso varia de acordo com o país, e vai da polícia a universidades federais, passando por laboratórios de ministérios da Justiça e de procuradorias-gerais. Em todos os casos, são laboratórios públicos, estaduais ou nacionais.

E como funciona?

Nós apenas ajudamos e apoiamos os países a criar e gerar esses bancos de dados com DNA, que sempre é nacional. Não somos donos dos dados. Oferecemos a tecnologia para que sejam gerados bancos de dados de DNA de pais que perderam seus filhos. Assim, quando as crianças forem encontradas, pode-se cruzar essas informações, mesmo depois de anos do desaparecimento.

Como seu programa auxilia a combater o tráfico internacional de menores de idade?

A principal razão para que crianças e adolescentes sejam facilmente explorados é que eles não são corretamente identificados. Eles não sabem, ou mal sabem, quem são, de onde vieram. Enquanto crianças, contam com atenção muito limitada das autoridades, sendo facilmente sequestradas e vendidas para exploração sexual, mendicância e trabalho em condições precárias.

Quando crescem, longe de suas cidades, famílias e pessoas que lhes dão amor, caem de forma muito fácil em organizações criminosas, ligadas à prostituição, drogas etc.

Se pudéssemos parar esse processo ainda em seus estágios iniciais, se pudéssemos saber quem são essas crianças, isso ajudaria muito no futuro. Não estou sonhando e pensando que o DNA pode resolver a questão do tráfico de menores, mas evitaríamos muitos casos e dificultaríamos bastante a atuação dos traficantes.

De que maneira a genética deve ser usada em casos de adoção?

Ela poderia ajudar muito. Há diversas crianças que são deixadas para adoção sem que haja a comprovação de que a mulher que entrega a criança é, de fato, sua mãe biológica.

Assim, em muitos países as crianças são roubadas e entregues a jovens mulheres que não são mães desses bebês, mas que dizem que são e alegam não ter recursos para alimentá-los porque têm outros filhos para criar.

Uma vez que o bebê é entregue, e isso se torna uma adoção legal, a mãe pode receber de US$ 1 mil a US$ 3 mil para ajudá-la a sustentar o restante da família. Isso se tornou um tipo de negócio.

Por outro lado, temos adoções ilegais: famílias ricas da Europa, dos EUA, do Brasil e de outros lugares que não querem esperar por anos para ter um bebê, e querem escolher sua idade, sexo, fenótipo... Eles entram em contato com organizações criminosas que oferecem bebês roubados, e depois criam documentos falsos.

Isso poderia ser evitado se uma identificação genética fosse requerida em todos os casos. Uma criança sem DNA cadastrado não deveria ser adotada, porque poderíamos entregá-la para adoção enquanto a família ainda está buscando saber onde está.

Há exemplos de países bem-sucedidos no combate à adoção ilegal?

Devo mencionar a Guatemala, que é o único país no mundo que aprovou, em 2010, legislação específica para coordenar esforços de identificação de crianças desaparecidas. Essa é a primeira lei que obriga as autoridades a analisar o DNA de menores e compará-los com o banco de dados. Seria ótimo que outros países aprovassem legislação similar.

Como estão as negociações para implementar o DNA-Prokids no Brasil?

Estamos próximos disso. Já mantivemos contato com a Polícia Federal e com uma série de Estados, dos quais o mais avançado é a Paraíba. Planejo uma visita a Brasília e à Paraíba, possivelmente ainda neste ano, e devo encontrar representantes do Ministério da Justiça e da Comissão de Direitos Humanos.

Também há contatos com outros Estados, e estou muito animado e ansioso para iniciar o programa no país. A professora Gilka Gattas, da USP, tem um programa chamado Caminho de Volta, focado em São Paulo, e colaboramos em algumas coisas. Já estive com ela na cidade, e a convidei para vir a Granada. Espero colaborar de forma ainda mais próxima quando os Estados implementarem as parcerias com a fundação DNA-Prokids.

O que o senhor guarda de seu período no FBI?

Foi ótimo. Era um médico, vindo de uma família de médicos, que de repente ingressava na catedral da investigação criminal. As pessoas me chamavam de "doc" (abreviação de doutor) e me consultavam sobre seus problemas de saúde.

Aprendi muitas coisas, mas duas seguem até hoje. A primeira é a de me manter em forma e praticar esportes diariamente, o "mens sana in corpore sano" (mente sã em corpo são). A outra é trabalhar sempre em equipe, discutir tudo e sempre opinar sobre um assunto, mesmo que você pense que aquilo é loucura ou bobagem. Não descarte alternativas, discuta-as e abra sua mente.

*

ELLEN CAROLINE SANTOS DE ALMEIDA